Hoje aconteceu algo
hilário. Uma das situações mais bizarras que já me aconteceram e não tive como deixar passar em branco. Estava eu, quietinha, com meu fone de ouvido voltando do centro da cidade de metrô. Perto das cinco da tarde, horário de rush, vagão cheio, mas não lotado. Faltavam ainda umas cinco estações para meu esperado destino e de repente, um homem de aparência NORMAL, bem vestido, e por sinal bem parecido com o ator Dan Stulbach, se aproximou e cutucou meu ombro, como se quisesse falar algo em segredo. Eu, já preocupada achando que alguém estava de olho na minha bolsa (que vive aberta), escutei atenta o que ele iria me dizer, quando ele veio com a
surreal frase-discurso:
“Queria te dizer uma coisa muito importante e você tem que acreditar em mim porque é verdade...” a esta altura, já tinha desencucado do assalto e achei que ele iria vir com uma novíssima cantada de metrô.
Estava enganada. “ Você sabia que eu fui o
único, em mais de 100 mil candidatos a passar no concurso de engenharia química da UFRJ?
Você sabe o que isso significa?? Faz a conta, a estatística comprova que eu quase não existo, é 0,000001 por cento de chance de isso acontecer mas eu existo e sou real, vamos, faz a conta comigo...” ele falava isso com um aumento continuado da voz e repetia as mesmas frases intercaladas continuadamente. Foi quando eu, e todo o vagão, percebemos que não se tratava de uma pessoa que julgamos
normal.
Enquanto ele falava, eu ficava me perguntando por que raios ele havia escolhido
justo eu para soltar toda aquela
verborragia, pensava ainda se não se tratava de uma
pegadinha, e ficava procurando alguém com uma câmera escondida...
Quando percebi que não era, fiquei sem saber se colocava novamente meu fone de ouvido que, educadamente, tirei para lhe
escutar. Ao mesmo tempo em que não agüentava mais ouvir aquilo tudo, simplesmente não conseguia voltar a escutar música como se nada tivesse acontecendo.
Tinha um maluco tentando chamar minha atenção!!!De repente ele se calou.
Ufa... que alívio, pensei comigo e logo coloquei meu fone para nem dar a chance dele começar a falar novamente.
Santa ingenuidade!
Em menos de cinco minutos ele emendou o mesmo discurso, porém com uma nova e mais surreal ainda frase:
“ Estatisticamente, eu sou o único heterosexual da face da terra!!!”.Ahhhhhhhhhhhhhh, então tá!!
Disse eu, após uma enorme
gargalhada. A essa altura nem estava mais chocada com sua
insanidade, já concordava com tudo que ele dizia mas não conseguia segurar o riso, apesar de isso soar uma enorme falta de educação para mim. Como assim? O cara é
louco e eu ainda fico rindo da cara dele???
Bom, louco ou não, era nítido que aquilo estava incomodando muito mais a mim e a metade do vagão, que a ele próprio. Para ele,
era apenas uma conversa com a garota do metrô.
Daí começo filosofar, se ser louco é ter
liberdade para falar e fazer o que quiser, e não se
envergonhar de nada nem ninguém, será que não seria melhor estar no grupo deles?
Nós, que nos julgamos
“normais”, estamos tão preocupados em sair bem na foto que esquecemos que a vida não é feita só de porta-retratos. Nos julgamos livres e
felizes mas temos vergonha de expôr os nossos mais profundos
desejos. Realizar então??
Ahhhh, isso é
loucura demais para os normais...
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